Patologia da ATM · Dr. Marcelo Chiarini

Enxaqueca e mandíbula: as duas podem existir na mesma pessoa

Dr. Marcelo Chiarini Atualizado em 2026 CRO-BA 6713

Dr. Marcelo Chiarini · Especialista em Ortodontia · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · Certificado AACP

CRO-BA 6713 | Salvador, BA · Baseado em evidências clínicas e literatura científica revisada por pares.

Podem, sim. Enxaqueca e disfunção da articulação da mandíbula podem existir na mesma pessoa, e uma não exclui a outra. Num estudo brasileiro com 158 pessoas com disfunção temporomandibular, a enxaqueca foi a dor de cabeça primária mais frequente: 55,3%.1 O nome que você recebeu não impede de olhar a mandíbula.

Você tem enxaqueca há anos. O nome é verdadeiro, o remédio foi receitado e a dor continua voltando: às vezes é uma pressão na têmpora, como se apertasse por dentro; às vezes você já acorda com ela. E ela tira o que é pequeno: o dia rende metade, você pensa antes de morder uma coisa dura e ninguém em volta percebe. Se isso te descreve, existe uma pergunta que cabe em uma linha: a mandíbula também pode estar nessa história?

Isso não é falta de esforço, não é frescura e não é da sua cabeça, por mais que alguém já tenha te dito isso. Este texto mostra, com fonte, o que se sabe sobre enxaqueca e mandíbula, o que a classificação internacional das dores de cabeça diz e o que vale levar para uma avaliação. A visão geral da relação entre dor de cabeça e mandíbula está em dor de cabeça e ATM; aqui o foco é a enxaqueca. Sem promessa: o objetivo é você saber que pergunta fazer.

Enxaqueca e disfunção da ATM podem existir ao mesmo tempo?

Podem. Enxaqueca é um diagnóstico clínico, feito pela história da dor e pelos critérios da classificação internacional. Disfunção da ATM (DTM) é um problema da articulação e dos músculos da mastigação. São diagnósticos diferentes, e a mesma pessoa pode ter os dois ao mesmo tempo, sem que um anule o outro.

Um estudo da UNESP, em Araraquara, avaliou 158 pessoas com DTM atendidas numa clínica universitária de dor orofacial e 68 voluntários sem DTM. Entre quem tinha DTM, 55,3% tinham enxaqueca. Entre os voluntários sem DTM, 30,9%.1 A diferença existe (a chance de enxaqueca foi cerca de 2,8 vezes maior no grupo com DTM), e a enxaqueca também aparece em quem não tem DTM. Os autores viram ainda que a frequência da enxaqueca acompanhou a intensidade da dor da DTM.

O que isso mostra e o que não mostra: é um estudo de um centro só, com 158 pessoas. Ele mostra que as duas andam juntas com frequência. Não mostra que uma causa a outra.

A classificação internacional reconhece dor de cabeça vinda da mandíbula?

Reconhece. A Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3) tem um diagnóstico próprio, o item 11.7: cefaleia atribuída a disfunção temporomandibular. Ele exige sinal clínico de um problema doloroso na articulação ou nos músculos da mastigação e prova de que a dor de cabeça tem relação com ele.2

Para provar essa relação, o critério pede pelo menos dois destes três pontos:

  • a dor de cabeça apareceu perto da época em que a disfunção começou, ou levou à sua descoberta;
  • ela piora com o movimento da mandíbula, ao mastigar ou ao apertar os dentes;
  • ela é provocada quando o examinador aperta o músculo da têmpora ou movimenta a mandíbula.

E há um último ponto: a dor não pode ser mais bem explicada por outro diagnóstico. Ou seja, se a enxaqueca explica tudo, continua sendo enxaqueca. A investigação da mandíbula serve para saber se há mais de uma coisa acontecendo.2

A própria classificação descreve essa dor como mais forte na região da têmpora, na frente do ouvido ou no músculo da bochecha (masseter), de um lado ou dos dois, e avisa que ela pode se sobrepor à cefaleia tensional.2

Pense na lombar. Muitas vezes o problema está na coluna, e quem dói é o músculo em volta, tentando compensar. Na cabeça pode ser parecido: a articulação da mandíbula trabalha mal, e o músculo da têmpora, que trabalha junto com ela, é quem dói.

Enxaqueca há anos e a mandíbula nunca entrou na investigação? Marque a sua avaliação, por vídeo ou presencial em Salvador.

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Como saber se vale olhar a mandíbula?

Vale levar a mandíbula para a avaliação quando a dor de cabeça aparece junto com sinais dela: dor que muda com o movimento da boca, aperto dos dentes, estalo ou trava. Nenhum item abaixo é diagnóstico. Eles organizam a conversa com quem vai examinar a sua mandíbula.

  • a dor piora ao mastigar, ao abrir bem a boca ou depois de apertar os dentes;
  • ela fica na têmpora, na frente do ouvido ou na bochecha, de um lado só ou dos dois;
  • você acorda com a dor, ou com a mandíbula pesada e cansada;
  • você aperta ou range os dentes (o que chamam de bruxismo), de dia ou à noite;
  • a mandíbula estala, trava ou dói ao abrir e fechar a boca; o estalo, mesmo sem dor, entra na lista do que merece ser investigado;
  • a sua mandíbula nunca foi examinada.

Se vários desses itens fazem sentido, a pergunta deixa de ser "será que é a mandíbula?" e passa a ser "quem examina a mandíbula?". Se a sua dor fica na lateral da cabeça, leia também dor de cabeça lateral e na têmpora.

A ressonância da cabeça deu normal. Isso exclui a mandíbula?

Não. A ressonância ou a tomografia pedida por causa da dor de cabeça olha a cabeça. O exame da articulação da mandíbula é outro pedido, feito com a boca fechada e com a boca aberta. Um exame da cabeça normal não foi feito para responder sobre a mandíbula: ele olhou outra coisa, e ninguém errou.

Exame normal não exclui o problema: é sinal de que a causa está na função, não na estrutura. Por isso a pergunta da mandíbula continua em aberto, e vale investigar. Sem promessa de que o exame da articulação vá achar algo: ele mostra o que houver para ser visto. Mais sobre isso em qual exame detecta problema na ATM e em dor de cabeça persistente com exame normal.

Quem cuida da minha enxaqueca continua cuidando?

Continua. A investigação da mandíbula soma, não substitui. O acompanhamento da enxaqueca e o remédio seguem com o médico que cuida de você, e quem decide sobre ele é esse médico. O que se busca é saber se a mandíbula também está na história, para o cuidado ser feito em conjunto, não em disputa.

Se você toma analgésico quase todo dia, vale ler também o que a ciência diz sobre tomar dipirona todo dia.

Como é a avaliação da mandíbula?

Na Avaliação Funcional & Biológica da ATM, eu ouço a sua história inteira, vejo os exames que você já fez, peço o que faltar e investigo de onde vem a dor, com você abrindo e fechando a boca, mastigando e mostrando onde dói. É feita por vídeo, de qualquer cidade do Brasil, ou presencial em Salvador.

Você sai sabendo o que tem e qual é o caminho. E se não for da articulação, eu te digo e te oriento para onde ir.

Para dar o primeiro passo, peça a sua avaliação pelo WhatsApp: a minha equipe responde e te leva ao horário.

Perguntas frequentes

Enxaqueca pode ser causada pela ATM?+
Enxaqueca é um diagnóstico próprio, com critérios clínicos. A disfunção da ATM pode existir junto com ela, e a classificação internacional reconhece uma dor de cabeça atribuída à disfunção temporomandibular (item 11.7). Se é uma, a outra ou as duas que explicam a sua dor, a investigação é que responde.
Quem tem enxaqueca deve procurar um dentista?+
Se a dor de cabeça vem com sinais da mandíbula, como piorar ao mastigar, estalo, trava ou aperto dos dentes, vale uma avaliação com quem trabalha com ATM. Isso não substitui o acompanhamento médico da enxaqueca: os dois cuidados se somam.
Existe exame que confirma enxaqueca?+
A enxaqueca é diagnosticada pelos critérios clínicos da classificação internacional: o jeito da dor, a frequência e os sintomas que vêm com ela. Quem decide pedir exame de imagem é o médico que acompanha você. Um exame da cabeça normal não foi feito para responder sobre a mandíbula.
A dor de cabeça na têmpora é enxaqueca ou é da mandíbula?+
Pode ser uma, a outra ou as duas. A têmpora é uma região citada pela classificação internacional para a dor de cabeça atribuída à mandíbula, mas só a avaliação separa uma da outra: quando a dor piora ao mastigar ou aparece ao apertar o músculo, a mandíbula entra na conta.
Posso parar o remédio da enxaqueca se eu investigar a mandíbula?+
Não por conta própria. Quem decide sobre o remédio é o médico que acompanha você, e ele continua cuidando da sua enxaqueca. A investigação da mandíbula é um passo a mais: o que ela mostrar é conversado em conjunto, para o cuidado ser feito sem disputa e sem trocar um tratamento pelo outro.
A avaliação pode ser por vídeo?+
Pode. O diagnóstico inteiro é feito por vídeo, inclusive para quem mora fora de Salvador: você conta a sua história, mostra os exames que já tem e faz os movimentos da mandíbula com orientação. Quem prefere pode fazer presencial, em Salvador.

Para continuar a leitura

Referências
  1. Franco AL, Gonçalves DAG, Castanharo SM, Speciali JG, Bigal ME, Camparis CM. Migraine is the most prevalent primary headache in individuals with temporomandibular disorders. J Orofac Pain. 2010;24(3):287-292. PMID 20664830. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20664830/
  2. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. Item 11.7, Headache attributed to temporomandibular disorder. https://ichd-3.org/11-headache-or-facial-pain-attributed-to-disorder-of-the-cranium-neck-eyes-ears-nose-sinuses-teeth-mouth-or-other-facial-or-cervical-structure/11-7-headache-attributed-to-temporomandibular-disorder-tmd/
Conteúdo educativo, não substitui consulta. Não há garantia de resultado; o ritmo varia caso a caso. Dr. Marcelo Chiarini · Especialista em Ortodontia · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · CRO-BA 6713 · Salvador, BA. Revisado em 11/10/2026.

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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui avaliação clínica, diagnóstico ou tratamento por profissional habilitado. Os resultados podem variar de acordo com a individualidade biológica de cada paciente.

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