Patologia da ATM · Dr. Marcelo Chiarini

Dor de cabeça na lateral da cabeça, na têmpora: quando a mandíbula entra na conta

Dr. Marcelo Chiarini Atualizado em 2026 CRO-BA 6713

Dr. Marcelo Chiarini · Especialista em Ortodontia · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · Certificado AACP

CRO-BA 6713 | Salvador, BA · Baseado em evidências clínicas e literatura científica revisada por pares.

Dor de cabeça lateral, na têmpora, pode vir da enxaqueca, da cefaleia tensional ou dos músculos e da articulação da mandíbula. O que aponta para a mandíbula é a dor mudar com o movimento da boca, piorando ao mastigar, bocejar ou apertar os dentes, e ser reproduzida quando o examinador aperta o músculo da têmpora.1

A dor fica de um lado da cabeça, na altura da têmpora, como uma pressão que aperta por dentro. Some com o remédio e volta uns dias depois, e você já pensa antes de morder uma coisa dura. Existe uma pergunta que ajuda mais do que "o que eu tenho?": o que acontece com essa dor quando você mastiga, boceja ou aperta os dentes?

Isso não é falta de esforço, não é frescura e não é da sua cabeça, por mais que alguém já tenha te dito isso. Se a dor começou de repente e muito forte, ou veio com febre, fraqueza ou perda de visão, vá direto aos sinais de alerta e procure atendimento médico. A seguir, o que cada dor tem de diferente e quando a mandíbula entra na conta.

O que é a têmpora e por que ela pode doer?

A têmpora é a região lateral da cabeça, acima e à frente da orelha. Ali fica o músculo temporal, em forma de leque, preso à mandíbula, que trabalha toda vez que você fecha a boca, mastiga ou aperta os dentes. Por acompanhar a mandíbula, ele pode doer quando ela trabalha demais ou de forma desencontrada.

A classificação internacional das dores de cabeça descreve a dor atribuída à mandíbula como mais forte na têmpora, na frente do ouvido ou no músculo da bochecha (masseter), de um lado ou dos dois.2 Na prática, o músculo pode doer por trabalhar demais, ou por parar de fazer a parte dele e o vizinho compensar.

Dor de cabeça lateral: enxaqueca, tensional ou mandíbula?

As três moram na lateral da cabeça, mas têm assinaturas diferentes. A enxaqueca costuma latejar, de um lado, com enjoo ou incômodo com luz e barulho. A cefaleia tensional aperta dos dois lados e não piora com o esforço. A da mandíbula muda com o movimento da boca e é reproduzida ao apertar o músculo.

DorComo costuma serO que costuma acompanhar
Enxaqueca3Um lado, pulsante, moderada ou forte; piora com esforço de rotina, como subir escadaEnjoo ou vômito; incômodo com luz e com barulho; crises de 4 a 72 horas
Cefaleia tensional4Dos dois lados, em pressão ou aperto (sem latejar), leve ou moderada; não piora com esforçoSem enjoo; no máximo incômodo com luz ou com barulho
Cefaleia atribuída à mandíbula2Têmpora, frente da orelha ou bochecha, de um lado ou dos doisPiora ao mastigar, abrir a boca ou apertar os dentes; dói ao apertar o músculo da têmpora

A cefaleia em salvas é outra dor de um lado só, muito forte, na têmpora ou em volta do olho, com olho vermelho e lacrimejando e nariz entupido do mesmo lado.5 Pede avaliação médica. A tensional costuma aparecer junto com a enxaqueca.4 Se o seu caso é enxaqueca, leia também enxaqueca e mandíbula.

Quando a dor na têmpora é caso de médico no mesmo dia?

Quando ela vem com sinais de alerta: começou de repente e muito forte, veio com febre, fraqueza, fala embolada ou confusão, ou apareceu pela primeira vez depois dos 60 anos. Nesses casos, procure atendimento médico no mesmo dia, sem esperar para ver se passa.

Procure um serviço de urgência ou o seu médico no mesmo dia se:
  • a dor começou de forma súbita e explosiva, ou é diferente de tudo o que você já sentiu;
  • veio com febre, fraqueza, formigamento, fala embolada, confusão ou desmaio;
  • apareceu pela primeira vez depois dos 60 anos, ou mudou de padrão de repente;
  • o couro cabeludo dói ao pentear ou ao encostar, ou a mandíbula dói ao mastigar junto com uma dor nova na têmpora;
  • a visão de um olho escureceu ou sumiu, mesmo que por alguns minutos;
  • piora ao tossir, ao espirrar ou ao fazer esforço, ou começou depois de uma pancada na cabeça.

A arterite de células gigantes é uma inflamação das artérias da cabeça que pode causar dor de cabeça na têmpora e dor na mandíbula ao mastigar. O principal risco é perder a visão, o que pode ser evitado com tratamento imediato. Os sinais do couro cabeludo, da mandíbula e da visão vêm da descrição dessa doença na classificação internacional.6 Os demais seguem a lista SNNOOP10, de alertas para dores de cabeça com causa secundária, publicada na revista Neurology.7

Sem nenhum desses sinais e com a dor piorando ao mastigar? Então a mandíbula merece ser examinada. Marque a sua avaliação, por vídeo ou presencial em Salvador.

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Como a dor de cabeça da mandíbula é reconhecida?

Pelo que ela faz com o movimento. Num estudo de Schiffman e colaboradores (2012) com 373 pessoas, dois pontos acertaram 89% de quem tinha dor de cabeça da mandíbula e descartaram 87% de quem não tinha: dor na têmpora que muda com o movimento da boca e dor reproduzida ao apertar o músculo.1

Em português simples: se, ao examinar, o profissional aperta o músculo da têmpora e você reconhece "é essa a minha dor", isso pesa a favor da mandíbula. Esses números vêm de um estudo de pesquisa, com pessoas que já tinham disfunção da mandíbula. Não é um teste para fazer em casa e não substitui o exame.

Outro estudo, da UNESP, em Araraquara, mostrou que 85,5% das pessoas com disfunção da mandíbula tinham algum tipo de dor de cabeça primária, contra 45,6% de quem não tinha.8 Mostra que as duas andam juntas com frequência, não que uma causa a outra.

O que anotar por 15 dias antes da avaliação?

Anote o lado da dor, a hora em que aparece, o que a faz piorar e quantas vezes por semana toma remédio. O registro de duas semanas vale mais do que a memória na hora da consulta e ajuda a enxergar o padrão. Leve também os exames da cabeça que você já fez, com a data.

Para levar à avaliação
  • o lado da dor e o horário em que ela aparece (ao acordar, no fim do dia);
  • se ela piora ao mastigar, ao bocejar, ao abrir bem a boca ou depois de apertar os dentes;
  • se você acorda com a mandíbula cansada ou pesada, ou com os dentes apertados;
  • quantas vezes por semana toma remédio para essa dor, e qual;
  • se a mandíbula estala, trava ou dói ao abrir e fechar a boca;
  • os exames da cabeça que você já fez e a data de cada um.

Se o remédio entra quase todo dia, leia também o que a ciência diz sobre tomar dipirona todo dia. E se a dor aparece logo ao acordar, vale ver dor de cabeça ao acordar e bruxismo. Se a dor vem junto com dor no pescoço, leia dor de cabeça e dor no pescoço juntas.

A ressonância da cabeça deu normal. Isso resolve a dúvida da mandíbula?

Não. A ressonância ou a tomografia pedida por causa da dor de cabeça olha a cabeça. O exame da articulação da mandíbula é outro pedido, feito com a boca fechada e com a boca aberta. O exame da cabeça normal olhou outra coisa, e ninguém errou. A pergunta da mandíbula continua em aberto, e vale investigar.

Um exame normal também não apaga os sinais de alerta da seção anterior: se algum deles aparece, o atendimento médico não espera. Mais sobre o que cada exame mostra em qual exame detecta problema na ATM.

Como é a avaliação da mandíbula?

Na Avaliação Funcional & Biológica da ATM, eu ouço a sua história inteira, vejo os exames que você já fez, peço o que faltar e investigo de onde vem a dor, com você abrindo e fechando a boca, mastigando e mostrando onde dói. É feita por vídeo, de qualquer cidade do Brasil, ou presencial em Salvador.

Você sai da avaliação sabendo o que tem, qual é o caminho e o que fazer primeiro. E se a sua dor não for da articulação, eu te digo e te oriento para onde ir. Para dar o primeiro passo, peça a sua avaliação pelo WhatsApp: a minha equipe responde e te leva ao horário.

Perguntas frequentes

Dor de cabeça na têmpora esquerda ou direita: qual a diferença?+
O lado, sozinho, não diz a causa. A classificação internacional descreve a dor de cabeça atribuída à mandíbula como de um lado só ou dos dois, e mais provável nos dois quando as duas articulações estão envolvidas. O que ajuda a separar as causas é o que a faz piorar, quanto dura e o que vem junto.
Dor na têmpora ao mastigar é normal?+
Dor que se repete ao mastigar merece ser examinada. Ela pode vir do músculo da têmpora, da articulação da mandíbula ou de outras causas. Se vier com dor de cabeça nova depois dos 60 anos, couro cabeludo sensível ao toque ou alteração na visão, procure o médico no mesmo dia.
Dor na têmpora pode ser ATM?+
Pode. A articulação e os músculos da mastigação são uma causa reconhecida de dor na têmpora, descrita na classificação internacional (item 11.7). Quando a dor muda com o movimento da boca e é reproduzida ao apertar o músculo, a mandíbula pesa a favor. Só a avaliação confirma, e outras causas precisam ser afastadas.
Dor de cabeça lateral é enxaqueca?+
Pode ser, mas nem toda dor lateral é enxaqueca. A enxaqueca costuma latejar de um lado, com enjoo ou incômodo com luz e barulho, em crises de 4 a 72 horas. Se a sua dor é mais um aperto e piora ao mastigar, outras causas entram na conta. Enxaqueca e mandíbula também podem coexistir.
Dor de cabeça na têmpora é grave?+
Na maioria das pessoas, não: só uma minoria das dores de cabeça tem causa secundária, segundo a revisão que originou a lista SNNOOP10. Mas alguns sinais pedem médico no mesmo dia: início súbito e explosivo, febre, fraqueza, fala embolada, perda de visão, dor nova depois dos 60 anos ou couro cabeludo sensível. Fora deles, vale investigar com calma.
Que médico procurar para dor na têmpora?+
Comece pelo seu médico, clínico ou neurologista, sobretudo se a dor é nova, intensa ou tem sinais de alerta. Se há sinais da mandíbula, como piorar ao mastigar, estalo ou aperto dos dentes, vale somar a avaliação de quem trabalha com ATM. Os dois cuidados se somam.
A avaliação da mandíbula pode ser por vídeo?+
Pode. O diagnóstico inteiro é feito por vídeo, inclusive para quem mora fora de Salvador: você conta a sua história, mostra os exames que já tem e faz os movimentos da mandíbula com orientação. Quem prefere pode fazer presencial, em Salvador.

Para continuar a leitura

Referências
  1. Schiffman E, Ohrbach R, List T, et al. Diagnostic criteria for headache attributed to temporomandibular disorders. Cephalalgia. 2012;32(9):683-692. doi:10.1177/0333102412446312. PMID 22767961. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22767961/
  2. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. Item 11.7, Headache attributed to temporomandibular disorder. https://ichd-3.org/11-headache-or-facial-pain-attributed-to-disorder-of-the-cranium-neck-eyes-ears-nose-sinuses-teeth-mouth-or-other-facial-or-cervical-structure/11-7-headache-attributed-to-temporomandibular-disorder-tmd/
  3. ICHD-3, item 1.1, Migraine without aura. https://ichd-3.org/1-migraine/1-1-migraine-without-aura/
  4. ICHD-3, item 2.2, Frequent episodic tension-type headache. https://ichd-3.org/2-tension-type-headache/2-2-frequent-episodic-tension-type-headache/
  5. ICHD-3, item 3.1, Cluster headache. https://ichd-3.org/3-trigeminal-autonomic-cephalalgias-tacs/3-1-cluster-headache/
  6. ICHD-3, item 6.4.1, Headache attributed to giant cell arteritis. https://ichd-3.org/6-headache-attributed-to-cranial-or-cervical-vascular-disorder/6-4-headache-attributed-to-arteritis/6-4-1-headache-attributed-to-giant-cell-arteritis-gca/
  7. Do TP, Remmers A, Schytz HW, et al. Red and orange flags for secondary headaches in clinical practice: SNNOOP10 list. Neurology. 2019;92(3):134-144. doi:10.1212/WNL.0000000000006697. PMID 30587518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30587518/
  8. Franco AL, Gonçalves DAG, Castanharo SM, Speciali JG, Bigal ME, Camparis CM. Migraine is the most prevalent primary headache in individuals with temporomandibular disorders. J Orofac Pain. 2010;24(3):287-292. PMID 20664830. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20664830/
Conteúdo educativo, não substitui consulta. Não há garantia de resultado; o ritmo varia caso a caso. Dr. Marcelo Chiarini · Especialista em Ortodontia · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · CRO-BA 6713 · Salvador, BA. Revisado em 11/10/2026.

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