Patologia da ATM · Dr. Marcelo Chiarini

Dipirona serve para dor de cabeça e enxaqueca? O que os estudos mostram e onde acabam

Dr. Marcelo Chiarini Atualizado em 2026 CRO-BA 6713

Dr. Marcelo Chiarini · Especialista em Ortodontia · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · Certificado AACP

CRO-BA 6713 | Salvador, BA · Baseado em evidências clínicas e literatura científica revisada por pares.

Em estudos, a dipirona aliviou a dor de cabeça tensional e a enxaqueca (esta, com a forma na veia) mais do que o placebo, em dose única.12 A bula a indica para dor e febre.3 Isso vale para o uso ocasional: tomada em muitos dias por mês, ela pode manter a própria dor de cabeça.4

Você toma, e ela alivia. A dor some e você volta ao que estava fazendo. Só que a dor volta amanhã, e no outro dia. E fica a pergunta: se serve, por que eu preciso de novo?

Aliviar não é errado: é o que o remédio faz. Aqui: o que os estudos mostram, onde acabam e quando a pergunta passa a ser outra. Se a sua dor começou de repente e muito forte, ou veio com febre, fraqueza ou perda de visão, vá direto aos sinais de alerta.

Dipirona serve para dor de cabeça?

Serve para aliviar, no uso ocasional. A bula a indica como analgésico, para dor, e antitérmico, para febre. O alívio começa, em média, de 30 a 60 minutos depois e dura cerca de 4 horas, segundo a bula.3 A dipirona alivia o sintoma, e não diz de onde a dor vem.

A mesma dor pode vir da tensão, da enxaqueca, do próprio remédio ou da mandíbula, e o comprimido não separa uma da outra.

O que os estudos mostram na dor de cabeça tensional?

Num estudo com 417 pessoas com cefaleia tensional episódica moderada, uma dose única de 0,5 g ou de 1 g de dipirona aliviou a dor mais do que o placebo. Comparada com 1 g de aspirina, houve uma tendência de alívio mais precoce.1 As pessoas tinham de 18 a 65 anos e pelo menos dois episódios de dor por mês.

Vale para dose única, em quem já tinha tido alívio com analgésico comum. Não mostra o que acontece em quem toma todo dia, por meses.1

E na enxaqueca?

Um estudo duplo-cego usou dipirona de 1 g na veia e mostrou melhora da dor e dos sintomas que acompanham a enxaqueca, como enjoo e incômodo com luz e com barulho, em relação ao placebo.2 Foi a forma injetável, diferente do comprimido.

Quando a dipirona deixa de servir?

Quando o uso fica frequente. A classificação internacional chama de cefaleia por uso excessivo de medicamento a dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, em quem já tinha dor de cabeça, causada pelo uso regular do analgésico por mais de 3 meses.4 Para analgésicos combinados, o limite é menor: 10 dias por mês.5

Se isso descreve a sua rotina, leia o texto sobre tomar dipirona todo dia.

Quando a dor de cabeça não é caso de comprimido?

Quando ela vem com sinais de alerta: começou de repente e muito forte, veio com febre, fraqueza, formigamento, fala embolada ou confusão, ou apareceu depois de uma pancada. Nesses casos, procure um serviço de urgência ou o seu médico no mesmo dia, sem esperar o comprimido fazer efeito.

Procure um serviço de urgência ou o seu médico no mesmo dia se:
  • a dor começou de forma súbita e explosiva, ou é diferente de tudo o que você já sentiu;
  • veio com febre, fraqueza, formigamento, fala embolada, confusão ou desmaio;
  • começou depois de uma pancada, de uma queda ou de um acidente;
  • piora ao tossir, ao espirrar ou ao fazer esforço;
  • você tem ou já teve câncer, ou uma doença que baixa a imunidade.

Esses sinais seguem a lista SNNOOP10, de alertas para dores de cabeça com causa secundária, publicada na revista Neurology.6 A lista completa está em dor de cabeça lateral e na têmpora.

A dipirona alivia, e a dor volta? Então vale investigar o que a dispara, a mandíbula incluída. Marque a sua avaliação, por vídeo ou presencial em Salvador.

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O que a revisão da Cochrane concluiu?

Uma revisão da Cochrane, de 2007, reuniu 4 estudos com 636 adultos e viu efeito favorável da dipirona na dor tensional e na enxaqueca, sem eventos adversos graves nos dois estudos que os avaliaram. Lembrou que a agranulocitose é rara e não apareceria numa amostra pequena.7 Foi retirada de publicação em 2014 por estar desatualizada.

Continua sendo uma síntese correta até a data em que foi feita, e mostra o tamanho do que se sabe: poucos estudos, de dose única, em dor episódica.7

O que investigar quando o remédio vira rotina?

Quando o analgésico entra toda semana, a pergunta é o que dispara a dor: enxaqueca, tensão, o próprio uso do remédio e também os músculos e a articulação da mandíbula. Num estudo da UNESP, 85,5% das pessoas com disfunção da mandíbula tinham algum tipo de dor de cabeça primária, contra 45,6% de quem não tinha.8

Mostra que as duas andam juntas com frequência, não que uma causa a outra. Se o nome que você recebeu foi enxaqueca, leia enxaqueca e mandíbula. Se a dor fica na lateral da cabeça e piora ao mastigar, leia dor de cabeça lateral e na têmpora.

O que anotar por 30 dias?

Anote os dias de dor, o remédio de cada dia, a dose e quanto tempo o alívio durou. O registro mostra se a dor segue um padrão e quantos dias do mês pedem comprimido, que é o número que a classificação usa. Leve o calendário à consulta, com o nome de cada remédio como está na bula.

Para levar à consulta
  • os dias do mês com dor de cabeça e os dias com remédio;
  • o nome do remédio e a dose de cada dia;
  • quanto tempo o alívio durou e se a dor voltou mais forte;
  • se a dor aparece ao acordar, ao mastigar ou depois de apertar os dentes;
  • se a mandíbula estala, trava ou dói ao abrir e fechar a boca;
  • os exames da cabeça que você já fez, com a data de cada um.

Como é a avaliação da mandíbula?

Na Avaliação Funcional & Biológica da ATM, eu ouço a sua história inteira, vejo os exames que você já fez, peço o que faltar e investigo de onde vem a dor, com você abrindo e fechando a boca, mastigando e mostrando onde dói. É feita por vídeo, de qualquer cidade do Brasil, ou presencial em Salvador.

Você sai da avaliação sabendo o que tem, qual é o caminho e o que fazer primeiro. E se a sua dor não for da articulação, eu te digo e te oriento para onde ir. Para dar o primeiro passo, peça a sua avaliação pelo WhatsApp: a minha equipe responde e te leva ao horário.

Perguntas frequentes

Dipirona serve para enxaqueca?+
Num estudo duplo-cego, a dipirona de 1 g na veia aliviou a dor da enxaqueca e os sintomas que acompanham mais do que o placebo. Foi a forma injetável. A bula do comprimido a indica como analgésico, para dor, e antitérmico, para febre. Quem tem crises frequentes deve combinar o tratamento com o médico.
Dipirona serve para dor de cabeça tensional?+
Num estudo com 417 pessoas com cefaleia tensional episódica moderada, uma dose única de 0,5 g ou de 1 g aliviou a dor mais do que o placebo. O estudo não avaliou o uso diário por meses.
Quanto tempo a dipirona demora para fazer efeito?+
Segundo a bula, o tempo médio de início de ação é de 30 a 60 minutos depois da administração, e o efeito geralmente dura cerca de 4 horas.
Dipirona serve para dor de cabeça de pressão alta?+
A classificação internacional descreve a dor de cabeça atribuída à hipertensão como a que aparece, em geral, num aumento agudo da pressão, a partir de 180 por 120 mmHg, e que melhora quando a pressão normaliza. A hipertensão crônica leve ou moderada não parece causar dor de cabeça. Com a pressão muito alta e dor forte, procure atendimento no mesmo dia.
Quantos comprimidos de dipirona posso tomar para dor de cabeça?+
A bula, para adultos e adolescentes acima de 15 anos, traz 1 a 2 comprimidos de 500 mg, ou meio a 1 de 1 g, até 4 vezes ao dia. Esse é o teto de um dia, não uma recomendação de tomar todo dia. Quem tem doença no fígado ou nos rins, ou usa outros remédios, deve perguntar ao médico ou ao farmacêutico.
Dipirona serve para dor de cabeça todo dia?+
Sem orientação médica, não é o que se recomenda: a dor que pede remédio em 15 ou mais dias por mês, por mais de 3 meses, pode ser a dor causada pelo uso excessivo do analgésico. O texto sobre tomar dipirona todo dia explica o limite de dias e os riscos.
A avaliação da mandíbula pode ser por vídeo?+
Pode. O diagnóstico inteiro é feito por vídeo, inclusive para quem mora fora de Salvador: você conta a sua história, mostra os exames que já tem e faz os movimentos da mandíbula com orientação. Quem prefere pode fazer presencial, em Salvador.

Para continuar a leitura

Referências
  1. Martínez-Martín P, Raffaelli E, Titus F, et al. Efficacy and safety of metamizol vs. acetylsalicylic acid in patients with moderate episodic tension-type headache: a randomized, double-blind, placebo- and active-controlled, multicentre study. Cephalalgia. 2001;21(5):604-610. doi:10.1046/j.1468-2982.2001.00216.x. PMID 11472387. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11472387/
  2. Bigal ME, Bordini CA, Tepper SJ, Speciali JG. Intravenous dipyrone in the acute treatment of migraine without aura and migraine with aura: a randomized, double blind, placebo controlled study. Headache. 2002;42(9):862-871. doi:10.1046/j.1526-4610.2002.02204.x. PMID 12390611. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12390611/
  3. Bula do paciente, dipirona monoidratada (medicamento genérico), comprimidos de 500 mg e 1 g. Prati-Donaduzzi; e Germed Farmacêutica (500 mg). Anvisa. https://img.drogasil.com.br/raiadrogasil_bula/bula-Dipirona-Monohidratada-1g-Prati.pdf e https://static-webv8.jet.com.br/drogaosuper/bulas/113368.pdf
  4. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. Item 8.2.3, Non-opioid analgesic-overuse headache. https://ichd-3.org/8-headache-attributed-to-a-substance-or-its-withdrawal/8-2-medication-overuse-headache-moh/8-2-3-simple-analgesic-overuse-headache/
  5. ICHD-3, item 8.2.5, Combination-analgesic-overuse headache. https://ichd-3.org/8-headache-attributed-to-a-substance-or-its-withdrawal/8-2-medication-overuse-headache-moh/8-2-5-combination-analgesic-overuse-headache/
  6. Do TP, Remmers A, Schytz HW, et al. Red and orange flags for secondary headaches in clinical practice: SNNOOP10 list. Neurology. 2019;92(3):134-144. doi:10.1212/WNL.0000000000006697. PMID 30587518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30587518/
  7. Ramacciotti AS, Soares BG, Atallah AN. Dipyrone for acute primary headaches. Cochrane Database Syst Rev. 2007;(2):CD004842. doi:10.1002/14651858.CD004842.pub2. PMID 17443558. Retirada de publicação em 2014 (CD004842.pub3, PMID 25019294). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17443558/
  8. Franco AL, Gonçalves DAG, Castanharo SM, Speciali JG, Bigal ME, Camparis CM. Migraine is the most prevalent primary headache in individuals with temporomandibular disorders. J Orofac Pain. 2010;24(3):287-292. PMID 20664830. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20664830/
  9. ICHD-3, item 10.3, Headache attributed to arterial hypertension. https://ichd-3.org/10-headache-attributed-to-disorder-of-homoeostasis/10-3-headache-attributed-to-arterial-hypertension/
Conteúdo educativo, não substitui consulta. Não use este texto para decidir sozinho começar, parar ou trocar um remédio: quem decide é o médico que cuida de você. Dr. Marcelo Chiarini · Especialista em Ortodontia · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · CRO-BA 6713 · Salvador, BA. Revisado em 13/10/2026.

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