Em estudos, a dipirona aliviou a dor de cabeça tensional e a enxaqueca (esta, com a forma na veia) mais do que o placebo, em dose única.12 A bula a indica para dor e febre.3 Isso vale para o uso ocasional: tomada em muitos dias por mês, ela pode manter a própria dor de cabeça.4
Você toma, e ela alivia. A dor some e você volta ao que estava fazendo. Só que a dor volta amanhã, e no outro dia. E fica a pergunta: se serve, por que eu preciso de novo?
Aliviar não é errado: é o que o remédio faz. Aqui: o que os estudos mostram, onde acabam e quando a pergunta passa a ser outra. Se a sua dor começou de repente e muito forte, ou veio com febre, fraqueza ou perda de visão, vá direto aos sinais de alerta.
Dipirona serve para dor de cabeça?
Serve para aliviar, no uso ocasional. A bula a indica como analgésico, para dor, e antitérmico, para febre. O alívio começa, em média, de 30 a 60 minutos depois e dura cerca de 4 horas, segundo a bula.3 A dipirona alivia o sintoma, e não diz de onde a dor vem.
A mesma dor pode vir da tensão, da enxaqueca, do próprio remédio ou da mandíbula, e o comprimido não separa uma da outra.
O que os estudos mostram na dor de cabeça tensional?
Num estudo com 417 pessoas com cefaleia tensional episódica moderada, uma dose única de 0,5 g ou de 1 g de dipirona aliviou a dor mais do que o placebo. Comparada com 1 g de aspirina, houve uma tendência de alívio mais precoce.1 As pessoas tinham de 18 a 65 anos e pelo menos dois episódios de dor por mês.
Vale para dose única, em quem já tinha tido alívio com analgésico comum. Não mostra o que acontece em quem toma todo dia, por meses.1
E na enxaqueca?
Um estudo duplo-cego usou dipirona de 1 g na veia e mostrou melhora da dor e dos sintomas que acompanham a enxaqueca, como enjoo e incômodo com luz e com barulho, em relação ao placebo.2 Foi a forma injetável, diferente do comprimido.
Quando a dipirona deixa de servir?
Quando o uso fica frequente. A classificação internacional chama de cefaleia por uso excessivo de medicamento a dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, em quem já tinha dor de cabeça, causada pelo uso regular do analgésico por mais de 3 meses.4 Para analgésicos combinados, o limite é menor: 10 dias por mês.5
Se isso descreve a sua rotina, leia o texto sobre tomar dipirona todo dia.
Quando a dor de cabeça não é caso de comprimido?
Quando ela vem com sinais de alerta: começou de repente e muito forte, veio com febre, fraqueza, formigamento, fala embolada ou confusão, ou apareceu depois de uma pancada. Nesses casos, procure um serviço de urgência ou o seu médico no mesmo dia, sem esperar o comprimido fazer efeito.
- a dor começou de forma súbita e explosiva, ou é diferente de tudo o que você já sentiu;
- veio com febre, fraqueza, formigamento, fala embolada, confusão ou desmaio;
- começou depois de uma pancada, de uma queda ou de um acidente;
- piora ao tossir, ao espirrar ou ao fazer esforço;
- você tem ou já teve câncer, ou uma doença que baixa a imunidade.
Esses sinais seguem a lista SNNOOP10, de alertas para dores de cabeça com causa secundária, publicada na revista Neurology.6 A lista completa está em dor de cabeça lateral e na têmpora.
A dipirona alivia, e a dor volta? Então vale investigar o que a dispara, a mandíbula incluída. Marque a sua avaliação, por vídeo ou presencial em Salvador.
Agendar a Avaliação Funcional & Biológica da ATMO que a revisão da Cochrane concluiu?
Uma revisão da Cochrane, de 2007, reuniu 4 estudos com 636 adultos e viu efeito favorável da dipirona na dor tensional e na enxaqueca, sem eventos adversos graves nos dois estudos que os avaliaram. Lembrou que a agranulocitose é rara e não apareceria numa amostra pequena.7 Foi retirada de publicação em 2014 por estar desatualizada.
Continua sendo uma síntese correta até a data em que foi feita, e mostra o tamanho do que se sabe: poucos estudos, de dose única, em dor episódica.7
O que investigar quando o remédio vira rotina?
Quando o analgésico entra toda semana, a pergunta é o que dispara a dor: enxaqueca, tensão, o próprio uso do remédio e também os músculos e a articulação da mandíbula. Num estudo da UNESP, 85,5% das pessoas com disfunção da mandíbula tinham algum tipo de dor de cabeça primária, contra 45,6% de quem não tinha.8
Mostra que as duas andam juntas com frequência, não que uma causa a outra. Se o nome que você recebeu foi enxaqueca, leia enxaqueca e mandíbula. Se a dor fica na lateral da cabeça e piora ao mastigar, leia dor de cabeça lateral e na têmpora.
O que anotar por 30 dias?
Anote os dias de dor, o remédio de cada dia, a dose e quanto tempo o alívio durou. O registro mostra se a dor segue um padrão e quantos dias do mês pedem comprimido, que é o número que a classificação usa. Leve o calendário à consulta, com o nome de cada remédio como está na bula.
- os dias do mês com dor de cabeça e os dias com remédio;
- o nome do remédio e a dose de cada dia;
- quanto tempo o alívio durou e se a dor voltou mais forte;
- se a dor aparece ao acordar, ao mastigar ou depois de apertar os dentes;
- se a mandíbula estala, trava ou dói ao abrir e fechar a boca;
- os exames da cabeça que você já fez, com a data de cada um.
Como é a avaliação da mandíbula?
Na Avaliação Funcional & Biológica da ATM, eu ouço a sua história inteira, vejo os exames que você já fez, peço o que faltar e investigo de onde vem a dor, com você abrindo e fechando a boca, mastigando e mostrando onde dói. É feita por vídeo, de qualquer cidade do Brasil, ou presencial em Salvador.
Você sai da avaliação sabendo o que tem, qual é o caminho e o que fazer primeiro. E se a sua dor não for da articulação, eu te digo e te oriento para onde ir. Para dar o primeiro passo, peça a sua avaliação pelo WhatsApp: a minha equipe responde e te leva ao horário.
Perguntas frequentes
Dipirona serve para enxaqueca?+
Dipirona serve para dor de cabeça tensional?+
Quanto tempo a dipirona demora para fazer efeito?+
Dipirona serve para dor de cabeça de pressão alta?+
Quantos comprimidos de dipirona posso tomar para dor de cabeça?+
Dipirona serve para dor de cabeça todo dia?+
A avaliação da mandíbula pode ser por vídeo?+
Para continuar a leitura
- Martínez-Martín P, Raffaelli E, Titus F, et al. Efficacy and safety of metamizol vs. acetylsalicylic acid in patients with moderate episodic tension-type headache: a randomized, double-blind, placebo- and active-controlled, multicentre study. Cephalalgia. 2001;21(5):604-610. doi:10.1046/j.1468-2982.2001.00216.x. PMID 11472387. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11472387/
- Bigal ME, Bordini CA, Tepper SJ, Speciali JG. Intravenous dipyrone in the acute treatment of migraine without aura and migraine with aura: a randomized, double blind, placebo controlled study. Headache. 2002;42(9):862-871. doi:10.1046/j.1526-4610.2002.02204.x. PMID 12390611. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12390611/
- Bula do paciente, dipirona monoidratada (medicamento genérico), comprimidos de 500 mg e 1 g. Prati-Donaduzzi; e Germed Farmacêutica (500 mg). Anvisa. https://img.drogasil.com.br/raiadrogasil_bula/bula-Dipirona-Monohidratada-1g-Prati.pdf e https://static-webv8.jet.com.br/drogaosuper/bulas/113368.pdf
- Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. Item 8.2.3, Non-opioid analgesic-overuse headache. https://ichd-3.org/8-headache-attributed-to-a-substance-or-its-withdrawal/8-2-medication-overuse-headache-moh/8-2-3-simple-analgesic-overuse-headache/
- ICHD-3, item 8.2.5, Combination-analgesic-overuse headache. https://ichd-3.org/8-headache-attributed-to-a-substance-or-its-withdrawal/8-2-medication-overuse-headache-moh/8-2-5-combination-analgesic-overuse-headache/
- Do TP, Remmers A, Schytz HW, et al. Red and orange flags for secondary headaches in clinical practice: SNNOOP10 list. Neurology. 2019;92(3):134-144. doi:10.1212/WNL.0000000000006697. PMID 30587518. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30587518/
- Ramacciotti AS, Soares BG, Atallah AN. Dipyrone for acute primary headaches. Cochrane Database Syst Rev. 2007;(2):CD004842. doi:10.1002/14651858.CD004842.pub2. PMID 17443558. Retirada de publicação em 2014 (CD004842.pub3, PMID 25019294). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17443558/
- Franco AL, Gonçalves DAG, Castanharo SM, Speciali JG, Bigal ME, Camparis CM. Migraine is the most prevalent primary headache in individuals with temporomandibular disorders. J Orofac Pain. 2010;24(3):287-292. PMID 20664830. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20664830/
- ICHD-3, item 10.3, Headache attributed to arterial hypertension. https://ichd-3.org/10-headache-attributed-to-disorder-of-homoeostasis/10-3-headache-attributed-to-arterial-hypertension/