A ressonância voltou com uma palavra que assustou: necrose. Mas antes de qualquer conclusão precipitada, existe algo fundamental que você precisa saber — necrose condilar não é uma sentença. É um diagnóstico. E diagnóstico, quando feito cedo, abre caminho para conduta. Este artigo explica o que é exatamente a necrose da cabeça condilar, por que ela acontece, o que os exames mostram, e qual é o prognóstico real quando há investigação e acompanhamento adequados.
O que é necrose condilar — definição clínica simples
Necrose condilar é a morte de células ósseas na cabeça do côndilo mandibular — a região onde a mandíbula se articula com o crânio — por interrupção ou redução crítica do fluxo sanguíneo local. O resultado é um núcleo de osso não vivo que, sem perfusão, pode progredir para microfraturas, colapso da superfície articular e, em estágios avançados, osteoartrose secundária. Na literatura especializada, é também chamada de osteonecrose do côndilo ou necrose avascular do côndilo mandibular.
Para entender o que está acontecendo, é preciso visualizar a anatomia. O côndilo mandibular é a "cabeça" da mandíbula — uma estrutura arredondada que se encaixa na fossa do osso temporal, com um disco fibrocartilaginoso entre eles. Esse conjunto forma a articulação temporomandibular (ATM). O côndilo tem um suprimento vascular relativamente delicado, semelhante ao da cabeça femoral — o que explica por que ambos são sítios clássicos de necrose óssea em pacientes com fatores de risco sistêmicos.
Quando a perfusão subcondral cai abaixo de um limiar crítico, as células ósseas morrem por isquemia. O osso necrótico não dói — mas a resposta do organismo ao redor da lesão, e especialmente quando ela começa a colapsar mecanicamente, pode causar dor, limitação de abertura e progressão para artrose.
Uma diferença importante que os laudos nem sempre esclarecem: necrose condilar não é o mesmo que osteoartrose condilar, nem é osteocondrite dissecante (onde há fragmento osteocondral se desprendendo), nem é a chamada reabsorção condilar idiopática — uma condição mais comum em mulheres jovens com perda progressiva de volume condilar. Cada uma dessas condições tem mecanismo, velocidade e prognóstico diferentes.
Como a necrose condilar começa — fatores de risco locais e sistêmicos
A necrose condilar não surge do nada. Ela é, quase sempre, o resultado de uma combinação de gatilho local — algo que comprometeu a perfusão do côndilo — e um bioterreno sistêmico desfavorável — um organismo que não consegue reparar o dano antes que ele progrida.
Fatores locais: o gatilho mecânico ou traumático
O trauma mandibular é o fator local mais documentado. Batidas no queixo, luxações de mandíbula, fraturas condilares — mesmo antigas, às vezes esquecidas pelo paciente — podem lesar os vasos que irrigam a cabeça condilar. O dano vascular não necessariamente produz dor imediata. A necrose pode se instalar silenciosamente ao longo dos meses ou anos seguintes.
Cirurgias ortognáticas prévias aparecem na história de uma parcela significativa de pacientes com necrose condilar. Durante a osteotomia, pode haver disrupção do suprimento vascular terminal do côndilo — especialmente em procedimentos de reposicionamento mandibular expressivo.
O bruxismo crônico e o apertamento dental aumentam a pressão subcondral repetidamente. Em articulações saudáveis e bem nutridas, essa sobrecarga é absorvida. Em articulações com bioterreno comprometido, ela se torna o agravante que impede o reparo e empurra a lesão para frente.
Importante: Bruxismo não "causa" necrose diretamente. Ele funciona como um gatilho que acelera o colapso quando o côndilo já está vulnerável por outras razões. Tratar apenas o bruxismo, sem investigar o sistema, é tratar a faísca sem ver o combustível.
Fatores sistêmicos: o bioterreno que impede o reparo
A mesma sobrecarga mecânica que em um paciente produz apenas dor muscular, em outro — com organismo inflamado, desmineralizado e metabolicamente comprometido — pode resultar em necrose. A diferença está no bioterreno.
Fatores sistêmicos com associação documentada a osteonecrose de articulações (com implicação direta para o côndilo):
- Corticosteroides crônicos em doses elevadas — comprometem a vascularização intraóssea e aumentam lipídios que obstruem microvasos
- Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, artrite idiopática juvenil) — o ataque inflamatório crônico à membrana sinovial e ao osso subcondral cria condições para colapso isquêmico
- Diabetes e síndrome metabólica — inflamação sistêmica crônica via AGE-RAGE, disfunção endotelial e maior risco de microtrombose vascular
- Deficiência de vitamina D, magnésio e zinco — osso menos resiliente, reparo deficiente, maior vulnerabilidade ao colapso subcondral após microtraumas
- Anemia falciforme — microtrombose por eritrócitos falcizados que obstruem microvasos intraósseos
- Uso excessivo de álcool — disfunção vascular, fragilidade óssea, interferência no metabolismo do cálcio
A lógica integrativa que orienta a conduta do Dr. Marcelo Chiarini é exatamente essa: investigar o bioterreno sistêmico — a inflamação crônica, o estado mineral, a saúde intestinal, o metabolismo — é parte inseparável do diagnóstico e do tratamento da necrose condilar. Sem corrigir o bioterreno, o côndilo permanece vulnerável, independentemente do que for feito localmente.
Os sinais que você pode não estar percebendo
Aqui está o que torna a necrose condilar clinicamente traiçoeira: muitos casos são silenciosos no início. A fase pré-clínica — quando só a ressonância mostra alteração, mas o paciente não tem sintomas significativos — pode durar meses a anos. Os primeiros sinais, quando aparecem, costumam ser graduais e fáceis de atribuir a outras causas.
Os sinais que merecem atenção clínica:
- Limitação de abertura que piora lentamente — não o bloqueio súbito de mandíbula travada, mas uma redução gradual, de semanas a meses, que o paciente demora a perceber
- Clique ou estalo que muda de padrão — especialmente se um estalo que existia há anos se torna mais grave, passa a ocorrer em posições diferentes, ou dá lugar a crepitação (som de areia)
- Dor que muda de caráter — de muscular e difusa para mais localizada, profunda e relacionada à carga mastigatória
- Sensação de "fundo pesado" na articulação — descrita por alguns pacientes como articulação que "não responde" ou que parece "embotada" em certas posições
- Cansaço mandibular desproporcional — a ATM cansa rápido ao mastigar alimentos que antes não causavam problema
- Assimetria facial progressiva — em casos mais avançados, o colapso estrutural do côndilo pode produzir mudança perceptível no padrão facial e oclusal
O que a ressonância mostra — e o que a panorâmica esconde
O diagnóstico definitivo de necrose condilar depende de ressonância magnética (RM). Não de panorâmica, não de tomografia computadorizada convencional, não de CBCT — embora esses exames tenham seu papel em outros aspectos do diagnóstico de ATM.
Por que panorâmica e CBCT não diagnosticam necrose precoce
Radiografias panorâmicas e CBCT visualizam estrutura óssea cortical — bordas, superfícies, trabeculado grosseiro. Eles mostram bem achatamento condilar, osteófitos, erosões e cistos subcondrais tardios. O que não conseguem mostrar é o interior da medula óssea — onde a necrose se instala primeiro, muito antes de qualquer alteração cortical visível.
Na fase inicial de osteonecrose, o único achado é uma mudança no sinal da medula óssea subcondral — e isso só é detectado por RM. Quando a panorâmica finalmente mostra alteração, a necrose já está em estágio avançado.
Sinais de necrose na ressonância magnética
Na RM de ATM com bobina de superfície de alta resolução, a necrose condilar se apresenta com padrão característico:
T1 (gordura): Área subcondral hipointensa — onde deveria haver gordura medular amarela, há sinal escuro, indicando substituição por tecido necrótico ou cicatricial
T2 / STIR (água/edema): Hipersinal perilesional — edema reativo ao redor da zona necrótica, sinal de que o organismo está respondendo à lesão
Linha serpiginosa: Contorno irregular separando osso necrótico do osso vivo periférico — sinal relativamente específico de necrose subcondral
"Crescent sign": Linha hipointensa subcortical em T1 — sinal de colapso iminente da superfície articular, análogo ao sinal clássico descrito em osteonecrose de cabeça femoral
Veja abaixo como essa diferença aparece em imagem real — ressonância de um caso acompanhado no consultório, com evidenciamento da cabeça condilar:
Estágios de evolução
A maioria dos casos diagnosticados precocemente — estágios I e II — permanece estável ou evolui lentamente com acompanhamento e conduta sistêmica adequados. Os estágios III e IV geralmente chegam ao diagnóstico tarde, depois de anos de queixas tratadas de forma inespecífica.
Necrose vs. artrose condilar — por que confundir os dois muda tudo
A distinção diagnóstica entre necrose condilar e osteoartrose condilar não é apenas acadêmica. Ela determina prognóstico, velocidade de progressão esperada e — especialmente — a lógica do tratamento. Confundir as duas é um dos erros mais comuns na conduta de DTM avançada.
| Aspecto | Necrose condilar | Osteoartrose condilar |
|---|---|---|
| Mecanismo | Isquemia → morte óssea subcondral | Desgaste mecânico progressivo da cartilagem e osso |
| Achado principal em RM | Hipossinal T1 subcondral + linha serpiginosa | Achatamento, osteófitos, irregularidade de superfície |
| Velocidade | Pode progredir em meses se não tratada | Progressão tipicamente lenta (anos a décadas) |
| Sintomas iniciais | Frequentemente silenciosa na fase precoce | Dor e crepitação geralmente presentes antes |
| Risco de colapso estrutural | Alto se não investigada e controlada | Menor (remodelação gradual, não colapso) |
| Fator sistêmico | Central — bioterreno é parte do mecanismo | Contribuinte, mas mecânico é dominante |
| Tratamento diferencial | Exige investigação sistêmica obrigatória | Manejo local é suficiente em maioria dos casos |
O ponto-chave: a necrose condilar, quando detectada em estágio inicial, oferece uma janela de intervenção que a artrose avançada não oferece. É exatamente nessa janela que a abordagem sistêmica faz diferença.
Veja na prática — casos reais em ressonância magnética
Neste vídeo, apresento dois casos reais: uma necrose condilar severa com acompanhamento documentado por ressonância ao longo de 6 anos — mostrando melhora progressiva — e uma osteoartrite condilar para comparação direta. Você vai ver com clareza como as imagens são diferentes e por que a conduta precisa ser diferente em cada situação.
Dr. Marcelo Chiarini · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · CRO-BA 6713 · Casos clínicos apresentados com consentimento e identidade preservada
Investigação além da imagem — o que a ressonância não mostra sobre seu caso
A RM mostra o que está acontecendo no côndilo. O que ela não mostra é por que está acontecendo — e por que, nesse paciente específico, a articulação não conseguiu se reparar. Para responder essa segunda pergunta, é necessária uma investigação sistemática do organismo.
Marcadores laboratoriais de bioterreno
Exames que compõem a investigação sistêmica de pacientes com necrose condilar ou DTM degenerativa:
PCR ultrassensível (PCR-us): Marcador de inflamação crônica subclínica. Valores entre 1–10 mg/L indicam estado inflamatório persistente mesmo sem diagnóstico de doença específica.
25(OH) Vitamina D: Meta-análises mostram que pacientes com DTM e osteoartrose de ATM têm níveis significativamente mais baixos. Deficiência (< 30 ng/mL) compromete a qualidade óssea subcondral e a resposta imune articular.
Magnésio sérico / eritrocitário: Cofator essencial da síntese de colágeno e do relaxamento muscular. Deficiência documentada em parcela de pacientes com DTM moderada/grave.
Zinco sérico: Crítico para osteoblastos e condrócitos. Inibe osteoclastos — a deficiência aumenta reabsorção óssea.
HbA1c e glicemia de jejum: Síndrome metabólica e resistência à insulina amplificam inflamação articular via via AGE-RAGE.
Perfil lipídico completo: Dislipidemia está associada a maior risco de osteonecrose em outras articulações — a ATM pode compartilhar esse risco.
FAN, FR, anti-CCP: Rastreio de autoimunidade quando a apresentação clínica sugere artrite inflamatória subjacente.
Microscopia de sangue vivo — a leitura do bioterreno em tempo real
Um dos recursos diagnósticos utilizados na avaliação integrada do Dr. Marcelo Chiarini é a microscopia de sangue vivo — análise do sangue fresco em campo escuro (darkfield), que permite observar diretamente o comportamento e a morfologia dos elementos sanguíneos antes de qualquer processamento laboratorial.
O que esse exame permite visualizar em pacientes com necrose condilar e DTM degenerativa:
- Agregação eritrocitária e formação de rouleaux — empilhamento dos glóbulos vermelhos como moedas, indicando hiperviscosidade sanguínea e estado inflamatório que compromete a microcirculação condilar
- Alterações na membrana dos eritrócitos — equinócitos e outros padrões de membrana que refletem estresse oxidativo sistêmico e deficiência de antioxidantes
- Presença e quantidade de debris plasmáticos — partículas que indicam carga inflamatória e integridade da barreira intestinal comprometida
- Atividade plaquetária — agregação plaquetária excessiva sinaliza estado pró-trombótico, fator relevante quando se suspeita de comprometimento microvascular no côndilo
Na prática clínica, a microscopia de sangue vivo funciona como uma janela visual imediata do bioterreno — ela mostra, em tempo real, como o sistema circulatório e o estado inflamatório do paciente estão se comportando. Para um côndilo que depende de microcirculação adequada para sobreviver e se reparar, essa informação é clinicamente relevante e complementa os marcadores laboratoriais convencionais.
Na prática: Um paciente com necrose condilar estágio I que apresenta, na microscopia, agregação eritrocitária intensa e debris inflamatórios abundantes tem um perfil de bioterreno que demanda intervenção sistêmica imediata — independentemente de os exames laboratoriais convencionais ainda não mostrarem alteração evidente. Essa complementaridade diagnóstica é o que diferencia a abordagem integrativa da abordagem isolada por imagem.
A investigação completa — RM para o estado estrutural do côndilo, laboratório para os marcadores sistêmicos validados, e microscopia para a leitura dinâmica do bioterreno — oferece um mapa muito mais preciso do que uma peça isolada forneceria. É a diferença entre saber "o que está acontecendo" e entender "por que está acontecendo nesse paciente específico".
Prognóstico real — o que a ciência diz sobre evolução e estabilização
O medo que a maioria dos pacientes traz quando o laudo menciona necrose condilar é que tudo vai piorar inevitavelmente e que vão precisar de cirurgia. A realidade clínica é consideravelmente diferente — e mais favorável do que o imaginado.
O que determina se um caso vai estabilizar ou progredir é, em grande parte, exatamente o bioterreno que discutimos ao longo deste artigo. Pacientes que continuam com inflamação sistêmica descontrolada, deficiências minerais não corrigidas, bruxismo severo sem manejo e sono fragmentado têm muito mais probabilidade de progressão. Pacientes que abordam esses fatores sistêmicos têm histórico clínico de estabilização radiográfica.
O que monitorar — e com que frequência
O acompanhamento de necrose condilar é clínico e por imagem. A frequência depende do estágio e da velocidade de progressão observada:
- Avaliação clínica a cada 3–4 meses no primeiro ano após diagnóstico — avaliar abertura, simetria mandibular, padrão de dor e função
- RM de controle em 12 meses para comparar evolução do sinal medular, integridade cortical e posição do disco
- Reavaliação dos marcadores laboratoriais após intervenção sistêmica (3–6 meses) para verificar normalização dos parâmetros inflamatórios e nutricionais
- Microscopia de sangue vivo de seguimento para acompanhar resposta do bioterreno ao protocolo instituído
- CBCT quando há suspeita de progressão estrutural — permite avaliar modificações ósseas corticais que aparecem em estágios mais avançados
Mensagem central: Necrose condilar descoberta por imagem não é uma sentença de cirurgia nem de deterioração inevitável. É um dado clínico que exige investigação sistêmica, acompanhamento estruturado e intervenção no bioterreno. Com isso, a maioria dos pacientes tem prognóstico funcional bom a longo prazo.
Maria, 42 anos — "Disseram que ia piorar"
Queixa inicial: Paciente chegou à avaliação com laudo de RM mostrando necrose condilar à direita em estágio inicial, com alteração de sinal medular e início de irregularidade subcortical. O dentista anterior havia informado que "ia progredir" e que possivelmente precisaria de cirurgia no futuro. A paciente referia dor leve e intermitente na ATM direita, cansaço mandibular ao mastigar e limitação de abertura discreta (38 mm, normal ≥ 40 mm).
Avaliação integrativa:
— RM: necrose condilar estágio I–II à direita, disco com deslocamento com redução
— Laboratório: 25(OH)D = 18 ng/mL (deficiência), magnésio eritrocitário no limite inferior, PCR-us = 2,8 mg/L (elevado para padrão subclínico)
— Microscopia de sangue vivo: agregação eritrocitária acentuada em rouleaux, debris plasmáticos aumentados, membrana de eritrócitos com padrão equinocítico compatível com estresse oxidativo
— Interrogatório sistêmico: distensão abdominal frequente, sono fragmentado (bruxismo do sono confirmado em autorrelato), dieta rica em ultraprocessados
Conduta:
1. Esclarecimento detalhado: necrose estágio I não é cirurgia automática — é janela de intervenção
2. Dispositivo intraoclusal de uso integral, desenvolvido após deprogramação muscular eletrônica da mandíbula — conferindo reposicionamento ortopédico neurofisiológico da mandíbula e posicionando articulação e musculatura na posição de maior conforto funcional. O dispositivo também promove descompressão articular, removendo o fator compressivo sobre o tecido ósseo condilar — um dos estímulos à reabsorção e progressão da necrose
3. Suplementação: vitamina D3 + K2 (para normalizar níveis), magnésio bisglicinato, ômega-3 EPA/DHA
4. Modulação intestinal: dieta antiinflamatória, eliminação de ultraprocessados, probiótico específico
5. Higiene do sono e investigação de apneia (polissonografia solicitada)
6. Monitoramento semestral com avaliação clínica e RM em 12 meses
Evolução em 6 meses:
— RM de controle: sinal medular estável, sem progressão do colapso subcortical
— Abertura mandibular: 42 mm (dentro da normalidade)
— PCR-us: 0,9 mg/L (normalizado)
— Vitamina D: 41 ng/mL (corrigida)
— Microscopia de seguimento: redução significativa da agregação eritrocitária, melhora na qualidade da membrana dos eritrócitos
— Clínica: dor reduzida em aproximadamente 75%, sem episódios de limitação de abertura
Conclusão do caso: A abordagem sistêmica — investigando e corrigindo o bioterreno que impedia o reparo — foi suficiente para estabilizar a lesão e melhorar a função. Não houve cirurgia, nem indicação de cirurgia em 12 meses de seguimento.
Se você acabou de receber um laudo de necrose condilar
A primeira coisa a fazer é não tirar conclusões a partir do laudo isolado. Um laudo de ressonância descreve o que a imagem mostra — mas não diz qual é o estágio real, qual é a velocidade de progressão do seu caso, qual é o bioterreno que está por trás, e qual é o prognóstico individualizado.
Essas respostas exigem avaliação clínica presencial com quem conhece o tema em profundidade.
O que uma avaliação completa para necrose condilar deve incluir:
- Análise do laudo e das imagens de RM (não só o texto do laudo — as imagens propriamente)
- Avaliação clínica funcional da ATM: abertura, lateralidade, simetria, dor à palpação e à carga
- Investigação laboratorial do bioterreno sistêmico (vitamina D, PCR-us, magnésio, zinco, glicemia, autoimunidade quando indicado)
- Microscopia de sangue vivo para avaliação do estado inflamatório e circulatório em tempo real
- Anamnese de fatores de risco: uso de corticoides, histórico de trauma mandibular, histórico familiar de doenças autoimunes, qualidade do sono, padrão alimentar
- Definição de conduta personalizada e protocolo de monitoramento
Na maior parte dos casos diagnosticados em estágios iniciais, o tratamento conservador com abordagem sistêmica é suficiente para estabilizar e permitir uma vida funcional normal. A avaliação integrada da ATM em Salvador começa exatamente por mapear onde esse paciente específico está e o que seu organismo precisa para recuperar a capacidade de reparar o côndilo.
Perguntas frequentes sobre necrose condilar
Nem sempre. Muitos casos de necrose condilar são silenciosos ou apresentam dor predominantemente articular e não cefálica. Quando há dor de cabeça, ela costuma ser resultado de uma combinação de fatores — bruxismo concomitante, tensão muscular periarticular, sensibilização central — mais do que da necrose isolada. O diagnóstico diferencial exige avaliação clínica presencial.
Não. Cirurgia é raramente a primeira resposta em necrose condilar — e menos de 5% dos casos chegam a necessitar de procedimento cirúrgico. A indicação cirúrgica ocorre apenas quando há dor persistente e incapacitante após falha do tratamento conservador, limitação funcional severa comprovada, ou deformidade estrutural progressiva documentada em imagem seriada. A maioria dos casos, especialmente quando diagnosticada precocemente, responde bem à abordagem conservadora com investigação e correção sistêmica.
Progressão é monitorada clinicamente (abertura bucal, padrão de dor, função mastigatória) e por imagem comparativa (RM de controle após 12 meses do diagnóstico). Sinais clínicos sugestivos de progressão incluem redução da abertura mandibular, mudança no padrão de dor de difusa para localizada e mecânica, e surgimento de crepitação onde antes havia apenas clique. Sem imagem de controle, não é possível afirmar com precisão se há progressão.
Sim — como parte de uma avaliação integrativa do bioterreno, não como diagnóstico isolado da necrose em si. A microscopia de sangue vivo mostra o estado inflamatório sistêmico e o comportamento microcirculatório do paciente: agregação eritrocitária, padrão de membrana dos glóbulos vermelhos, debris inflamatórios e atividade plaquetária. Essas informações são clinicamente relevantes porque a microcirculação do côndilo depende diretamente do estado do sangue. Um bioterreno com hiperviscosidade e inflamação sistêmica alimenta a necrose — e a microscopia permite monitorar isso em tempo real, complementando os marcadores laboratoriais convencionais.
Depende do estágio e da avaliação clínica individualizada. Exercícios físicos gerais — que não impõem carga direta sobre a ATM — são em geral recomendados, pois contribuem para reduzir inflamação sistêmica e melhorar a qualidade do sono. Exercícios específicos de abertura bucal e mobilização da ATM devem ser prescritos por fisioterapeuta com experiência em ATM, com intensidade ajustada ao estágio da necrose. Esportes de contato ou atividades com risco de trauma mandibular são desaconselhados durante a fase ativa de monitoramento.
Favorável na maioria dos casos diagnosticados precocemente. Aproximadamente 70% dos casos permanecem estáveis por anos com acompanhamento e abordagem sistêmica. Cerca de 20% progridem lentamente — especialmente quando fatores sistêmicos como inflamação crônica, deficiências minerais e bruxismo não são controlados. Menos de 5% dos casos necessitam de intervenção cirúrgica. O prognóstico piora significativamente quando o diagnóstico é tardio (estágios III–IV) ou quando o bioterreno sistêmico não é investigado e corrigido.
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Referências científicas
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Aviso clínico e legal: Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não constitui diagnóstico, prescrição ou recomendação de tratamento. Cada caso de necrose condilar é único e exige avaliação clínica presencial com profissional habilitado. Não tome decisões de saúde baseadas exclusivamente em conteúdo de internet.
Credenciais do autor: Dr. Marcelo Chiarini, Cirurgião-Dentista, Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM. CRO-BA 6713. Salvador, BA.
As informações contidas neste artigo estão alinhadas com a literatura científica disponível até a data de publicação e podem ser atualizadas conforme novos estudos forem publicados.