Dr. Marcelo Chiarini · CRO-BA 6713 · Especialista em Patologia da ATM · Salvador, BA
Fontes científicas: Dahlström & Carlsson (1985); Aggarwal et al. (2020); Kumar et al. (2023); Bono & Learreta (2025); Szyszka-Sommerfeld et al. (2023).
Você usou a placa. A dor melhorou um pouco. Depois voltou.
Talvez você tenha pensado que não usou direito. Que esqueceu noites demais. Que precisava de mais tempo.
Não é isso.
A placa de bruxismo não resolveu porque não foi feita para resolver a causa da sua dor. Ela foi feita para outra coisa — e faz isso razoavelmente bem. O problema é que ninguém te explicou qual era essa outra coisa antes de você começar a usá-la.
Este artigo explica o que a placa realmente faz, por que a dor volta quando você para de usar, e o que existe de diferente para quem já tentou o caminho convencional e precisa de uma resposta definitiva.
O nome que criou uma expectativa errada
A placa que o mercado chama de "miorrelaxante" carrega no próprio nome uma promessa que os estudos não confirmam.
A lógica do nome é esta: você range os dentes à noite porque os músculos estão tensos. A placa relaxa esses músculos. A tensão cai. A dor passa.
O problema está no segundo passo dessa lógica.
Quando a atividade elétrica dos músculos mastigatórios é medida por eletromiografia — com o dispositivo na boca e depois sem ele — os resultados mostram algo diferente. Após seis semanas de uso, nenhuma das modalidades testadas alterou a atividade dos músculos masseter e temporal quando medida sem o aparelho na boca (Dahlström & Carlsson, 1985).
Não é erro de quem prescreveu. É o limite do que a placa foi desenhada para fazer — e que raramente é explicado ao paciente.
O que a placa realmente faz — e faz bem
A placa tem três funções reais e documentadas:
- Protege os dentes do desgaste pelo ranger noturno;
- Distribui a força da mordida de forma mais uniforme;
- Reduz a sobrecarga articular enquanto está em uso.
Para essas três funções, ela é uma ferramenta legítima. Muitos pacientes relatam alívio real nas primeiras semanas — e esse alívio é verdadeiro. A sobrecarga diminui, a dor reduz.
No entanto, uma revisão sistemática de 37 ensaios clínicos (Aggarwal et al., 2020) classificou a certeza da evidência para redução de dor com placas como "muito baixa".
A conclusão é clara: A placa é proteção. É alívio temporário. Não é tratamento da causa articular.
Por que a dor volta
O músculo mastigatório hiperativo não é o problema. É a consequência.
Quando a mandíbula está mal posicionada — quando o côndilo não está onde deveria estar na fossa articular — os músculos ao redor compensam. Eles trabalham mais do que deveriam para manter o sistema funcionando. Com o tempo, essa sobrecarga se torna dor.
A placa tira parte dessa sobrecarga enquanto está na boca. Mas quando sai, o sistema volta exatamente para onde estava. A mandíbula continua na mesma posição. O músculo continua compensando. A dor continua.
Os estudos confirmam esse padrão: quando o uso da placa é suspenso, muitos pacientes voltam a apresentar sintomas, especialmente quando fatores articulares não foram abordados (Kumar et al., 2023). A placa funciona como um analgésico mecânico temporário, não como tratamento da causa.
Enquanto a posição da mandíbula não muda, o músculo não muda. E enquanto o músculo não muda, a dor não para.
O que ninguém mede
A maioria das placas é confeccionada a partir dos contatos entre os dentes — a chamada oclusão estática. O profissional analisa como os dentes se encaixam e ajusta o dispositivo para essa posição.
O que raramente é medido é o que o músculo está fazendo.
Imagine regular o alinhamento de um carro apenas olhando para o volante — sem nenhum equipamento de medição. É assim que a maioria das placas é feita: baseada na oclusão visual, sem medir o esforço muscular.
A abordagem neuromuscular é como usar um equipamento de alinhamento profissional: a posição correta é definida por medição objetiva (eletromiografia), não por estimativa visual. No bruxismo, a redução real da atividade muscular só ocorre de forma sustentada quando o dispositivo respeita a fisiologia do músculo.
"A placa convencional é ajustada para onde os dentes se encaixam.
O dispositivo neuromuscular é ajustado para onde o músculo pede.
São pontos de partida completamente diferentes — e levam a resultados completamente diferentes."
A abordagem que parte de um ponto diferente
A linha de trabalho desenvolvida pelo Prof. Learreta parte de uma premissa invertida em relação ao modelo convencional: não é a oclusão (o encaixe dos dentes) que define onde a mandíbula deve estar. É a atividade muscular que define a posição fisiológica — e o dispositivo é confeccionado para manter exatamente essa posição.
O protocolo funciona em cinco etapas precisas:
- Desprogramação Neuromuscular: Utilizamos o TENS de baixa frequência para fazer o músculo "esquecer" o padrão de dor e tensão acumulado por anos.
- Eletromiografia em tempo real: Medimos a atividade elétrica dos músculos masseter e temporal para encontrar a posição de menor esforço e maior simetria.
- Definição da Posição Fisiológica: Identificamos onde o músculo trabalha em equilíbrio, independentemente de como os dentes se encaixam hoje.
- Confecção do Dispositivo: O aparelho é feito sob medida para sustentar essa posição específica encontrada nos exames.
- Monitoramento Contínuo: Realizamos ajustes baseados em dados objetivos da eletromiografia ao longo de todo o tratamento.
O uso combinado de TENS e dispositivos guiados por critérios neurofisiológicos melhora comprovadamente o padrão muscular, trazendo um equilíbrio que a placa comum raramente alcança (Bono & Learreta, 2025).
O que muda quando a posição é definida pelo músculo
Quando o dispositivo é confeccionado para a posição fisiológica, a mandíbula vai para onde o sistema neuromuscular pede — não para onde o padrão de desgaste dos dentes estabeleceu ao longo dos anos.
A diferença não é apenas clínica. É mensurável. Pacientes que relatam melhora mas mantêm padrões de eletromiografia alterados têm maior risco da dor voltar. Já aqueles com normalização dos dados apresentam um prognóstico muito mais favorável (Szyszka-Sommerfeld et al., 2023).
O paciente não precisa confiar apenas no que sente. Ele pode ver a mudança nos dados ao longo do acompanhamento. A sua mandíbula já foi medida dessa forma alguma vez?
Perguntas frequentes
1. Por que a placa de bruxismo não resolve de vez?
A placa alivia a sobrecarga enquanto está em uso, mas não reposiciona a mandíbula nem normaliza a atividade muscular de forma duradoura. Sem corrigir a posição da mandíbula, o sistema volta ao padrão de dor assim que o uso é suspenso.
2. O que é a placa miorrelaxante e por que o nome é questionado?
O termo sugere um relaxamento muscular que a eletromiografia muitas vezes não confirma. Ela protege os dentes, mas não altera o "vício" muscular que causa a dor.
3. Qual é a diferença entre a placa comum e o dispositivo neuromuscular?
A placa comum foca no encaixe dos dentes (oclusão). O dispositivo neuromuscular foca no equilíbrio dos músculos, usando tecnologia para encontrar a posição onde eles trabalham com menos esforço.
4. Onde encontrar esse tratamento em Salvador?
O Dr. Marcelo Chiarini realiza essa avaliação clínico-funcional completa em Salvador, utilizando o protocolo neurofisiológico com TENS e eletromiografia de superfície.
Cansado de usar placa e ainda sentir dor?
O próximo passo é uma avaliação que começa medindo o que a placa comum nunca mediu.
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