Patologia da ATM · Dr. Marcelo Chiarini

Qual exame detecta problema na ATM? Ressonância, tomografia e o que nenhum exame mostra

Dr. Marcelo Chiarini Atualizado em 2026 CRO-BA 6713

Dr. Marcelo Chiarini · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · Certificado AACP

CRO-BA 6713 | Salvador, BA · Baseado em evidências clínicas e literatura científica revisada por pares.

Diagnóstico Funcional da ATM

Qual exame detecta problema na ATM? Ressonância, tomografia e o que só o exame clínico não vê

Há uma discussão real entre quem fecha o diagnóstico só com o exame clínico e quem pede imagem. A resposta honesta é que os dois se completam — e um caso da minha prática mostra por quê.

Por Dr. Marcelo Chiarini Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM CRO-BA 6713 · Salvador

Resposta direta: a ressonância magnética é o exame de eleição para avaliar as estruturas internas da ATM (o disco); a tomografia avalia melhor o osso; a panorâmica serve para triagem. Mas nenhuma imagem, sozinha, mede a função nem "fecha" o diagnóstico — ela precisa estar associada a um exame clínico criterioso e à história do paciente. A avaliação clínico-funcional é o que amarra tudo.1

Existe uma discussão antiga entre profissionais que tratam a ATM. De um lado, os que fecham o diagnóstico apenas com o exame clínico; de outro, os que pedem exames de imagem como complemento. Em alguns pacientes, só o exame clínico já permite excluir a participação da articulação temporomandibular nos sintomas relatados. Em outros, a imagem se faz necessária para avaliar o grau de envolvimento da ATM e identificar o que está afetando a articulação.

Pedir ou não pedir imagem como complemento — e, mais controverso ainda, qual exame pedir — é uma decisão clínica. Antes de destrinchar cada exame, deixa eu te contar um caso que foi um divisor de águas na minha prática.

Um caso que mudou a minha forma de pedir exames

Relato de caso clínico

Um paciente, à época com 17 anos, me procurou para tratamento ortodôntico. Chegou com a documentação básica para o estudo do caso — e me surpreendeu a qualidade do posicionamento e do encaixe dos dentes. A oclusão estava satisfatória; o que o incomodava era apenas um pequeno apinhamento inferior. Colocamos uma contenção para evitar que aumentasse.

Fotografia intraoral mostrando a oclusão e o bom encaixe dos dentes do paciente
A oclusão estava satisfatória — a queixa era apenas um pequeno apinhamento inferior.

Dois meses depois, ele voltou relatando uma dor forte e espontânea na face, de poucos segundos. No exame clínico, nada: sem dor muscular, sem desvio na abertura e no fechamento da boca, sem estalo. Como o sintoma tinha acontecido uma única vez e já não estava presente, orientei acompanhar e observar o retorno de qualquer sinal.

Ele insistiu: não poderia ser algo da articulação? Respondi que sim, poderia ser da ATM — mas, sem sinais clínicos, pedir um exame naquele momento seria um tiro no escuro. Entreguei uma solicitação de ressonância e pedi que não a fizesse por ora: iríamos acompanhar e, conforme os sintomas evoluíssem, eu solicitaria avaliação médica ou a própria ressonância.

Semanas depois, ele voltou com a ressonância já feita. Confesso que fiquei contrariado — expliquei que a ressonância é um exame que se pede com indicação precisa. O raio-X panorâmico que ele já tinha mostrava apenas um ligeiro facetamento da cabeça da mandíbula.

E então eu vi as imagens.

A cabeça da mandíbula estava posicionada muito para trás de onde deveria estar (dentro da cavidade articular), e boa parte dela havia desaparecido — uma reabsorção importante. Custava a acreditar que aquilo não estivesse produzindo dor ou dificuldade de movimento. Passei alguns minutos tentando entender a ausência de sintomas diante do que a ressonância mostrava.

Ressonância da ATM mostrando grande reabsorção da cabeça da mandíbula com cortical óssea muito fina Ressonância da ATM com linha pontilhada indicando a quantidade de osso perdida na cabeça da mandíbula

A cabeça da mandíbula com grande reabsorção e cortical muito fina — sinal que sugere atividade atual do processo. Na segunda imagem, a linha pontilhada simula a quantidade de osso que foi perdida.

Ressonância da ATM com setas indicando o deslocamento da cabeça da mandíbula para trás, em direção ao ouvido Ressonância da ATM destacando a posição atual da cabeça da mandíbula em relação à posição ideal

O quanto a cabeça da mandíbula está deslocada para trás, em direção ao ouvido — as setas indicam onde ela deveria estar posicionada.

Já reconheceu esse caso no seu? Antes de continuar pesquisando qual exame pedir, você pode simplesmente perguntar pro profissional certo.

Manda ATM no WhatsApp

Então o exame de imagem "fecha" o diagnóstico? Não.

Esse caso me ensinou os dois lados da mesma moeda. Eu já sabia que exame de imagem normal não exclui uma disfunção — a dor pode estar na função, que a foto não mostra. Aquele paciente me mostrou o contrário: um exame clínico tranquilo também não exclui uma alteração estrutural importante, que só a imagem revelou.

A conclusão não é "peça sempre ressonância" nem "confie apenas no exame clínico". É que imagem e clínica se completam: a imagem, sozinha, diz pouco se não estiver associada a um exame físico criterioso e à história completa de saúde. E o exame clínico ganha muito quando, na dúvida certa, é complementado pela imagem indicada.

O ponto que muda tudo

Um exame normal não é atestado de que não há problema — e um exame clínico tranquilo também não. O que fecha o raciocínio é juntar as peças: sintomas, exame físico, história e, quando indicada, a imagem certa. A imagem é uma peça do diagnóstico, não o diagnóstico inteiro.

Ressonância, tomografia e panorâmica: o que cada uma mostra

A ressonância magnética é excelente para tecidos moles: a posição do disco articular, sinais de inflamação, líquido na articulação, deslocamentos. A tomografia computadorizada (especialmente a de feixe cônico) é a melhor escolha para avaliar o osso: achatamentos, erosões, reabsorções, alterações degenerativas do côndilo. A radiografia panorâmica é uma visão geral, útil para triagem, mas limitada para a ATM — dá pistas, não conclusões.

A imagem mostra (RM / TC / panorâmica)A função mostra (avaliação clínico-funcional)
Disco, osso, inflamação, líquidoAtividade dos músculos da mastigação (eletromiografia)
A estrutura num instanteComo a mandíbula se move o dia inteiro
"Está tudo no lugar"Se há sobrecarga, apertamento ou mordida forçando a ATM
Não explica, sozinha, por que dóiInvestiga a causa da dor

Por isso a pergunta "qual exame pedir?" não tem resposta única: depende do que a história e o exame clínico sugerem. Um mesmo sintoma pode pedir ressonância num caso, tomografia em outro, ou nenhuma imagem — apenas acompanhamento clínico. E, como mostram os erros mais comuns de diagnóstico, o problema raramente é falta de exame — é falta de interpretação no contexto certo.

"Meu exame deu normal e a dor continua" — por quê?

Exame de imagem normal não exclui disfunção da ATM. A imagem mostra estrutura; ela não mostra função. Um músculo em sobrecarga constante pode doer com a anatomia preservada. Nesses casos, investiga-se a função — a atividade muscular, o padrão de mordida e o comportamento da mandíbula em movimento — antes de repetir exames de imagem que provavelmente virão normais de novo.

O exame que costuma faltar: a avaliação clínico-funcional

Aqui entra o que raramente é oferecido. A avaliação clínico-funcional investiga aquilo que a imagem não alcança: a atividade dos músculos da mastigação (que pode ser registrada por eletromiografia), a relação entre onde a mandíbula está e onde deveria estar em repouso, e o comportamento articular durante o movimento.1 É investigar como o sistema funciona — porque a dor da DTM, na maior parte dos casos, nasce de uma função desregulada. Em situações de dor crônica que não se explica só pela mandíbula, essa investigação pode incluir ainda a observação complementar do terreno biológico do paciente, sempre dentro do contexto da ATM.

Como se preparar e quando procurar avaliação

Se você já tem exames de imagem, leve todos — inclusive os "normais". Eles fazem parte do quebra-cabeça e evitam repetição desnecessária. Vale procurar avaliação quando a dor na mandíbula, a dor de cabeça recorrente, o estalo, o travamento ou o zumbido persistem por mais de duas a três semanas, ou quando você já fez exames que "não acharam nada" e a dor continua real.

Já fez exames e ninguém achou a causa da sua dor?

Manda ATM no WhatsApp e agende sua Avaliação

Perguntas frequentes

Qual exame detecta problema na ATM?+
A ressonância magnética avalia as estruturas internas (disco), a tomografia avalia o osso e a radiografia panorâmica serve para triagem. Mas nenhum mede a função mandibular — para isso existe a avaliação clínico-funcional, que investiga músculos e movimento.
Preciso de pedido médico para fazer exame da ATM?+
O cirurgião-dentista com formação em ATM/DTM pode solicitar os exames indicados. O mais útil é levar à consulta os exames que você já tem, mesmo os que vieram normais.
Como saber se tenho DTM ou se é só uma dor muscular na mandíbula?+
A dor muscular pode ser, ela mesma, parte de uma DTM — muitas disfunções são de origem muscular. Só a avaliação clínica diferencia a causa; sintomas como estalo, travamento, dor de cabeça associada e dor ao mastigar ajudam a orientar.
Ressonância da ATM dói? Como é feita?+
Não dói. É um exame de imagem em que você permanece deitado; em alguns protocolos, são feitas imagens com a boca aberta e fechada para avaliar o disco em posição.
Qual profissional pede e interpreta o exame da ATM?+
O cirurgião-dentista com formação em Patologia e Disfunção da ATM solicita e interpreta dentro do contexto clínico. O exame isolado não substitui a avaliação — ele é uma peça dela.

Continue lendo

Referências
  1. Schiffman E, Ohrbach R, Truelove E, et al. Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD) for Clinical and Research Applications. J Oral Facial Pain Headache. 2014;28(1):6–27.

Este conteúdo é educacional e não substitui diagnóstico ou avaliação profissional individual. Exame de imagem normal não exclui disfunção da ATM, e um exame clínico tranquilo não exclui alterações estruturais. Sempre consulte um profissional habilitado antes de iniciar qualquer investigação ou tratamento. Dr. Marcelo Chiarini · Cirurgião-Dentista · Pós-graduado em Patologia e Disfunção da ATM · CRO-BA 6713 · Salvador, BA. · Atualizado em julho de 2026.

Reconheceu algum sinal
descrito neste artigo?

Uma avaliação clínico-funcional investiga o que os exames convencionais não mostram.
Agenda aberta em Salvador, BA.

Agendar minha avaliação

Resposta em até 2h · dias úteis · Salvador, BA

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui avaliação clínica, diagnóstico ou tratamento por profissional habilitado. Os resultados podem variar de acordo com a individualidade biológica de cada paciente.

Rolar para cima