Dr. Marcelo Chiarini
Cirurgião-dentista com atuação em ATM/DTM, Dor Orofacial e abordagem integrativa, atendendo em Salvador – BA.
Por que eu não trato “só a dor”
Eu me interessei por ATM desde a faculdade, mas o que eu encontrava como “tratamento” me parecia incompleto: orientações para “não apertar os dentes”, evitar mastigar, viver de alimentos pastosos, ou depender de lembretes para vigiar o próprio corpo o dia inteiro.
Isso pode até reduzir sintomas em alguns casos, mas não responde à pergunta principal: por que a articulação entrou em sofrimento?
A partir daí, minha prática passou a seguir uma regra simples: dor é sinal — não é diagnóstico final.
O que isso mudou na minha clínica: em vez de tratar a região que dói, eu priorizo investigar a função da ATM, o padrão neuromuscular e, quando faz sentido clinicamente, fatores sistêmicos que podem sustentar inflamação e dificultar recuperação.
Minha base: ortodontia desde cedo, função acima de estética
Antes mesmo da faculdade, aos 14 anos, eu já trabalhava com aparelhos de contenção e ortodontia ao lado da minha irmã (ortodontista). Essa experiência prática precoce fez a ortodontia virar uma base natural — não como “aparelho por aparelho”, mas como ferramenta de função e estabilidade.
Hoje, a ortodontia entra de forma seletiva: quando ela ajuda o paciente a manter estabilidade depois do cuidado da ATM, e não como resposta automática para qualquer queixa.
Quando eu virei paciente, tudo ficou óbvio
Eu não tinha dor de cabeça ou dor facial importante. Mesmo assim, comecei a trincar e quebrar dentes com o tempo por apertamento intenso.
O caminho que me ofereceram era o mesmo que eu via sendo repetido: ajustes frequentes em placa, pouca investigação, e um foco quase exclusivo em “controlar hábito” e “reduzir estresse”. O resultado foi previsível: alívio instável e nenhuma explicação completa.
Esse período me marcou por um motivo: ele mostrou, na prática, que uma pessoa pode não ter dor intensa e ainda assim estar em processo de dano. E também o contrário: alguém pode ter dor incapacitante com alterações menores.
Foi aí que eu decidi que meu trabalho não seria “convencer o paciente a viver evitando a mandíbula”, mas devolver função com raciocínio clínico mais profundo.
O ponto de virada: aprender a investigar a causa funcional
Em 2012, ao estudar com o Prof. Jorge Learreta, eu encontrei um modelo que finalmente fazia sentido: a ATM como parte de um sistema, e não um problema isolado.
A partir daí, minha formação se expandiu para integrar:
avaliação funcional da ATM antes de “concluir por imagem”
análise neuromuscular e padrões adaptativos
compreensão do bioterreno quando clinicamente relevante (inflamação, estresse oxidativo, metabolismo, histórico de saúde)
Na prática, isso evita dois erros comuns:
tratar apenas músculo/dor e chamar isso de “tratamento da ATM”
encerrar um caso porque um exame veio “normal”, quando a clínica conta outra história
Como eu penso hoje: duas frentes que precisam conversar
Minha abordagem clínica se organiza em duas frentes, sempre com limites claros:
1) ATM e função (mecânica + neurofisiologia)
avaliação funcional e clínica detalhada
entendimento da relação côndilo–disco e espaço articular
desprogramação neuromuscular quando indicada
estratégias conservadoras e progressivas, com acompanhamento
2) Terreno biológico (quando faz sentido para o caso)
investigação de sinais indiretos de inflamação persistente e fatores sistêmicos associados
integração com estratégias de suporte (ex.: nutrição, sono, intestino, suplementação), quando pertinente
trabalho em conjunto com outros profissionais quando necessário
Importante: eu não prometo soluções rápidas para quadros crônicos ou multifatoriais. O objetivo é clareza clínica, plano realista e acompanhamento responsável.
Microscopia de sangue vivo: para que eu uso (e para que eu não uso)
Eu utilizo a microscopia de sangue vivo como ferramenta complementar de observação do bioterreno, ajudando a contextualizar sinais indiretos de inflamação, estresse oxidativo e desequilíbrios sistêmicos — sempre correlacionando com a história e o exame clínico.
Ela não substitui avaliação funcional, exames laboratoriais convencionais ou métodos de imagem quando indicados. Ela não é diagnóstico isolado; é um recurso adicional dentro de um raciocínio clínico mais amplo.
Cirurgia: exceção, não padrão
Eu considero cirurgia quando existe indicação estrutural clara e falha documentada de uma abordagem conservadora bem conduzida.
Eu evito cirurgia quando não houve investigação funcional adequada ou quando fatores sistêmicos relevantes ainda não foram abordados.
Recebo com frequência pacientes com indicação cirúrgica prévia em busca de segunda opinião — e nesses casos a prioridade é organizar o raciocínio clínico e as opções com segurança.
O que esperar da primeira consulta
Na primeira consulta, o foco é entender o caso.
Você pode esperar:
avaliação clínica detalhada e análise funcional da ATM
revisão criteriosa de exames prévios (quando existirem)
definição das necessidades diagnósticas e próximos passos
Você não deve esperar:
promessa de cura
decisões precipitadas
“fechamento” de diagnóstico em poucos minutos para casos complexos
Atendimento em Salvador
Local: Salvador – BA Modalidade: presencial e online (conforme o caso) Atendimento: particular (não atende convênios)
Quer clareza sobre sua ATM e um plano de investigação responsável?
Autor: Dr. Marcelo Chiarini – CRO-BA 6713
Aviso legal: conteúdo informativo; não substitui avaliação clínica individual.
Última atualização: fevereiro/2026